Esta é uma semana histórica para o Futebol Brasileiro. Ricardo Teixeira, homem forte do nosso futebol a 23 anos acaba de renunciar da Presidência.

Em sua gestão, Ricardo Teixeira transformou o futebol brasileiro. Desde a Copa do Mundo de 1970, a Seleção Brasileira e toda organização dos Campeonatos lutavam para sair do fundo do poço. Em sua gestão, a Seleção Brasileira conquistou duas Copas do Mundo, seus atletas foram eleitos melhores do Mundo por diversas vezes, suas Seleções de Base também foram as mais vencedoras, os clubes Brasileiros passaram a ter uma dominância no Continente- tanto com títulos e por receitas- tornando-se os mais ricos do continente.

Para se ter uma idéia, a Seleção Brasileira quase não teve dinheiro para conseguir viajar para a Copa de 1990. Por anos, os jogadores só faziam questão de jogar caso tivessem os pagamentos e bônus feitos antecipadamente. Hoje a CBF tem na Seleção e em seu patrimônio uma das maiores marcas mundiais– com patrocínios gigantescos, onde quase todos os jogadores que por lá passam conseguem ter em suas carreiras um salto de crescimento.

O Futebol Brasileiro- nas questões nacionais, deixou de ser bagunçado: os calendários e suas fórmulas passaram a ser fixos. A criação da Copa do Brasil foi um dos ótimos acertos- abrindo espaços para times pouco conhecidos em território nacional a ter chances com o sucesso.

Com problemas de saúde, Ricardo Teixeira chegou ao seu ápice ao conseguir trazer a Copa do Mundo novamente para 2014 no Brasil. Após sua realização, seu sonho era ter uma aposentadoria tranquila, mas isso deverá ficar apenas em sonhos..

Teixeira conseguiu se manter no poder mesmo com todas as crises que o país passou nestes períodos. Tinha o poder sobre todas as 27 Federações e nunca precisou passar por uma crise em relação a queixas de seus aliados. Ganhava o respeito das federações ao compra-las com pequenos gestos- como uma mesada mensal de R$40.000,00 Reais entre outros pequenos favores, como: festas em hotéis de luxo para federações menores, etc... Há relatos de que Teixeira, assim que assumiu a falida CBF, gastou US$ 178 mil para dar um aparelho de fax para cada uma das federações.

Genro de João Havelange- homem forte da FIFA por muitos anos, Teixeira tinha planos de se aproximar do poder Mundial do futebol. Tinha aliados fortes ao seu lado- como o própio Havelange e outros presidentes de Federações Mundiais para concorrer a presidência da FIFA. A Copa do Mundo do Brasil seria o cartão de apresentação do brasileiro para sua candidatura ao cargo de Joseph Blatter. Blatter teria 79 anos nas próximas eleições e não pretenderia se candidatar.

Porém o atual Presidente da FIFA era contra ver Teixeira no poder e a péssima relação entre os dois veio a ficar ainda mais evidente após o Brasileiro apoiar Mohammed Bin Hammann, que desafiou e concorreu contra Blatter. Hammann acabou desistindo da candidatura depois de ter sido acusado de tentar comprar votos de outros integrantes da FIFA. Após este escândalo, Blatter decidiu implementar uma espécie de “ficha limpa” para interessados em se candidatar a presidência da entidade: se alguns dos candidatos respondessem na justiça sobre irregularidades com foco em corrupções, não poderiam participar das eleições. Para Blatter pouco importava em relação a si própio- já que não teria interesse em disputar as próximas eleições, mas poderia atingir seus desafetos- leia-se: Ricardo Teixeira. 

Ano passado, a rede BBC, trouxe a informação de que o ex-presidente da FIFA João Havelange e Teixeira receberam US$ 9,5 milhões em propinas da ISL para garantir contratos de exclusividade em transmissões e patrocínios da Copa do Mundo.Segundo a reportagem, a Justiça suíça determinou a devolução do dinheiro e encerrou o caso. Atualmente, Joseph Blatter, detém os documentos do processo e jáafirmou libera-los ao público. Assim acabaria com qualquer chance da candidatura de Teixeira.
A Policia Federal Brasileira e o Ministério Público passaram a acompanhar o caso mais de perto, mas tudo leva a crer que desta vez seria de uma maneira diferente as outras acusações sobre o poderoso Ricardo Teixeira.

Teixeira sempre foi um sujeito bem articulado nos bastidores. Tinha bastante poder e influência sobre alguns Juízes do Judiciário Federal do Brasil, conquistados através dos “nobres” favores. O dirigente chegou a levar alguns Juízes e suas famílias com todas as despesas pagas para a Copa da França de 1998 ou a patrocinar o Torneio de Futebol dos Juízes do Brasil. 

Essa pode ter sido a explicação do Dirigente sair tantas vezes impune a acusações sérias. Em 1994- voltando com o Título Mundial da Copa dos Estados Unidos- Título em que o Brasil não conquistava a 24 anos, Teixeira entrou em foco com acusações sobre si: chegou a ser incriminado pelo Ministério Público Federal por ter desembarcado com diversos produtos e sem pagar os impostos necessários. Dois funcionários da Receita Federal ne época relataram que o dirigente os desafiou a atrasar o desembarque de uma seleção esperada por centenas de pessoas no aeroporto. Ambos foram demitidos e Teixeira acabou inocentado, cogitando até R$ 500 mil de indenização.

Conseguiu escapar impunemente de duas CPIs: a CPI CBF-Nike (que analisava os contratos nebulosos da CBF com a empresa de material esportivo). E a CPI do Futebol(que tentava explicar como até 1996 a CBF apresentava lucro. Neste ano assinou um contrato com a Nike de 160 milhões de dólares e a partir de então começou a ter prejuízos. A entidade então tomou dinheiro emprestado de origem duvidosa, pagando juros muito mais altos do que os de mercado).

Nelas, o cartola foi acusado de crimes como lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, apropriação indébita e evasão de divisas, com possibilidade de pegar quase dez anos de prisão. Mas viu estes casos serem arquivados sem julgamento final.

Sua aliança com as forças mais poderosas do país chegou ao ápice em 2004: O Governo comandado pelo Presidente Lula, via na Seleção Brasileira um valorizado cartão postal para promover o Brasil no exterior em “jogos de paz”. O Brasil liderava a ocupação com as forças armadas no Haiti para ajudar na reconstrução do própio. Teixeira conseguiu levar a Seleção Brasileira com suas principais peças em uma data que não era própia para amistosos (não era uma data FIFA e assim os clubes não precisavam liberar seus jogadores) e assim o amistoso foi realizado com sucesso. 

Desta maneira, Lula conseguia sua projeção ainda maior internacionalmente e Ricardo Teixeira conseguiua diminuir sua ficha suja com a Jusatiça Brasileira e aumentava sua força com o Governo Brasileiro. E assim, ele continuaria “intocável” aos seus olhos.

Em 2011, Lula sai da Presidência do Brasil e Teixeira perde seu principal aliado. A Presidenta Dilma assume o poder disposta a não fazer vista grossa as maracutaias. Porém, Teixeira tinha sua principal missão cumprida: A Copa seria realizada no Brasil e ele novamente tinha o poder sob controle. Com seu ego inflamado, Teixeira cavou sua própia cova: O dirigente vivia em guerra com alguns importantes veículos de comunicação do Brasil, casos do: Jornal Folha de São Paulo, Uol, Terra, Rede Record e Espn. Disposto a provar seu poder sob qualquer circunstância e ataque de qualquer mídia, Teixeira deu uma entrevista exclusiva a Revista Piauí, (pode ser lida aqui: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-58/figuras-do-futebol/o-presidente), onde com afirmações bisonhas, zombou de todos os poderes do Governo, da mídia, dos cidadãos Brasileiros, etc..

Suas declarações incomodaram a todos os poderes e principalmente a Presidenta Dilma. Desde a publicação da revista, era notório o quanto a Presidenta não contava mais com o até então “intocável” Teixeira. Além de irritar os altos poderes,conseguiu atingir a quem era “comprado facilmente por resultados”, o povo Brasileiro. A mais de 1 ano diversas passeatas e manifestações pelo país, além de campanhas redes sociais pedem a saída de Teixeira. Estas campanhas foram ganhando espaço na mídia, que aliada as novas denúncias de corrupção, tornaram-se sua permanência no poder impossível.

Desgastado fisicamente, mentalmente e sem nenhuma força política, Teixeira viu na renúncia uma forma de tentar sair do foco nacional nos próximos meses e assim, esperar que como nas outras vezes, as novas denúncias não cheguem ao julgamento final e assim consiga escapar novamente impune– ao contrário do que aconteceria com qualquer outro cidadão.

Com o crescimento nos patrocínios e títulos Mundiais, Ricardo Teixeira conseguiu contar muitas mentiras através de verdades, e assim se manter no poder, impune, por todo esse tempo. Sem dúvidas, um dos grandes personagens da história do futebol- tanto pro bem, mas muito mais pro mal. 

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