Sempre no início de temporada, penso a respeito dos Estaduais. Qual é a sua importância? O que realmente vale para os Clubes? 

Os estaduais tinham tudo para ser a “Galinha dos ovos de ouro” em muitas regiões do país, mas a politicagem– sempre ela, impede que os Campeonatos sejam melhores do que são. De fato, ao fim do campeonato- seja em qual estado for, o jogo final com público grandioso e a emoção dos torcedores, fazem muitos esquecerem situações ridículas acontecidas durante os meses de disputa. Como exemplo, os dois estaduais mais importantes do país.

O Rio de Janeiro é um desses exemplos claros de “politicagem”. Apesar de ser a cidade, ao lado de São Paulo, de maior força economicamente e esportivamente, seu tamanho geográfico é reduzido a quase nada em relação a outros estados. É quase um milagre o estado abrigar 4 grandes potências Nacionais (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco), só explicado pela importância econômica do Estado. Este agravante não foi colocado em mesa quando o Presidente da Federação Rubens Lopes- com o apoio dos clubes menores em sua maioria, suicidou o Campeonato ao aumentar o número de clubes da primeira Divisão de 12 para 16. 

Mas onde encontra-se a “politicagem” no aumento de clubes? É simples. Com o aumento de Clubes, são mais 4 datas com jogos das grandes equipes e com isso, o contrato de televisão aumenta, mais clubes pequenos colocam um dinheirinho no bolso e principalmente, o Presidente da Federação Rubens Lopes, ganha mais votos nas eleições futuras por satisfazeres o desejo dos presidentes dos clubes pequenos e assim consegue se perpetuar no poder. 

Mas com isso, o lado esportivo fica em segundo plano não agradando a mídia e os torcedores. Mesmo tendo uma fórmula de disputa de tiro curto bastante interessante, o aumento de clubes fez com que o nível caísse. pois os bons jogadores dos times pequenos são divididos em mais equipes e com isso, a montagem do elenco de um time pequeno do Rio fica recheados de jogadores sem muitas condições de atuarem em uma primeira divisão estadual– fazendo com que os jogos contra as grandes equipes sejam ainda mais sem graça, não atraindo a atenção da mídia e muito menos dos torcedores. 

Em São Paulo a situação é ainda mais ridícula. O estado mais importante brasileiro até teria condições de manter uma primeira divisão com 20 clubes, devido ao tamanho de seu estado e com a força de seu interior. Porém, a fórmula de disputa impede que o Campeonato ganhe uma importância significativa. São 19 rodadas classificatórias- sim, 19 rodadas! Levando-se em consideração que a principal competição do país em seu primeiro turno tem 19 rodadas, da pra perceber o quão desgastante e cansativo passa a ser a maioria destes jogos. Se classificavam os 4 melhores times entre os 20, mas com medo de que em 1 ano ficassem os 4 grandes de fora das semi-finais (São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians), mudaram a fórmula para 8 clubes se classificando. O engraçado é que nas quartas de finais- exceto a final, as partidas são eliminatórias em jogo único. O paradoxo disso é que continua a chance de 4 times do interior chegarem as semi-finais.. Com as receitas de televisão quase triplicando, não parece que os Cartolas estejam tão interessados na questão esportiva. 

No Brasil nos alimentamos das rivalidades estaduais. O Brasileiro em sua natureza é apaixonado pelo futebol, a ponto de não se importar do país não estar se quer entre os 50 primeiros da Educação Mundial, mas se revoltar com uma eliminação precoce na Copa do Mundo de Futebol. Não seria tão difícil esportivamente, fazer Estaduais rentáveis onde o amor dos torcedores pudesse ser representado nas rendas dos jogos, nas audiências de tv e principalmente por um futebol mais bem praticado e que gere mais interesses dos própios atletas. 

Basta a politicagem permitir. A galinha respira por aparelhos, mas os ovos de ourocontinuam a sair. Ainda..

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